terça-feira, 7 de dezembro de 2010

ALEX 1






O silêncio da noite invade e contamina o ambiente, o vento frio corta como navalha quem se atreve ir contra ele, as estrelas pareciam que haviam se escondido com medo do que ainda estava por vir.

A noite até então não havia sido nada boa, tudo havia dado errado. A soma dos acontecimentos só tornava insuportável a sensação do fracasso, impotência e decepção. Sentia no peito um vazio que não conseguia explicar, uma raiva que contaminava todo o ser.
A morte inesperada de um padre, a invocação irresponsável de um demônio e uma missão que quase levou a morte de todo grupo, tudo isso não teve um impacto tão devastador quanto aquele pouco de liquido funesto, viciante que fora derramado em sua boca.
Todos os acontecimentos da noite e a ingestão daquele liquido, por pior que fossem ainda seriam suportáveis, o que realmente fez a diferença foi o autor da obra de arte, pensava, pensava em inúmeras razões para que aquilo tivesse ocorrido, por mais que sua racionalidade dissesse que era a coisa certa a ter sido feita, seu coração se recusava acreditar.
Como foi confiar naquele tipo de ser novamente, aqueles que um dia haviam lhe tirado tudo que mais importava, não conseguia entender aquela mistura de sentimentos que circulavam pelo seu corpo, Angustia, tristeza, raiva, afeto desprezo, repulsa, perdão todos duelavam freneticamente em busca de sobressair e enfim racionalizar uma ação.
O silêncio fúnebre da cena permitia que o vento aconselhasse, a água que restava daquilo que um dia fora um rio tocava seu pés tentando limpar a mácula de sua alma, as folhas caiam das arvores como brinquedos caiam do armário lotado tentando de alguma forma acalmar aquela inquietação.
Isso seria um ponto de vista para quem desejava relaxar, mas para uma mente confusa, com ódio e desilusão predominando não passavam de insultos, a água provocando uma reação, o vento instigando, incitando uma retaliação e as folhas mostravam apenas que hora do fim chegava para todos, talvez a sua tivesse por chegar.

As lembranças do passado que estavam aprisionadas pelo seu rancor e determinação, enfim soltaram-se e corroíam os seus pensamentos, tudo que tinha passado e suportado para enfim cair no mesmo erro que seus pais cometeram, como foi confiar, mas ainda havia tempo para correção, tinha que arrancar o ódio e o mal que contaminava seus pensamentos e qual a melhor forma que não por sangue.
Sua cabeça insistia em dizer que era suicídio, mas todos iremos morrer um dia, seus sentimentos respondiam. Melhor morrer salvando uma vida do que ficar nessa situação de impotência, lamentação e covardia, pois jamais tinham sido suas características, sempre se comportou como um guerreiro e assim morreria fazendo.
Em regra guerreiros agiam por instinto, muitos morriam prematuramente e nunca foram conhecidos por sua grande capacidade de pensar, pelo menos não os que conhecia. E com um pensamento impulsivo e estúpido resolveu voltar à casa do inimigo de horas antes.
Buscava a justificativa para tal atitude imprudente, na garota que haviam deixado para trás, não porque quisera mais devido ter sido tirado de lá por algo ou alguém que não controlava e nada podia fazer, pois não conhecia o covarde de seu anjo da guarda.
Levantou-se lentamente, pois seus ferimentos conspiravam contra a idéia que acabara de ter. Mal podia se colocar de pé, não tinha forças o suficiente para agüentar a dor de ossos quebrados, à medida que tentava levantar, estalos, rangidos que vinham dentro de seu corpo diziam que a melhor coisa a fazer era descansar.
Mas a teimosia e o impulso sempre falaram mais alto, insistia com a idéia, no mínimo imprudente que tivera, sua cabeça o convencia que era uma ação nobre e justa, mas no fundo sabia que isso era um suicídio e talvez por isso a idéia tinha tanta força.


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